terça-feira, 31 de janeiro de 2012

PONTUAÇÃO

Se eu fosse um ponto de interrogação, ninguém me perguntaria nada, avisados pela minha constante dúvida anunciada. Eu devo ter cara de três pontinhos. Acham que, pode demorar, mas vou sempre dizer qualquer coisa. Ou, pelo menos, que fico a pensar nela. Afirmativamente. Se eu fosse um ponto de interrogação, não haveria dúvidas em relação às minhas. Ninguém ficava à espera de nada.

Teria tempo para descobrir respostas que me servissem para as minhas próprias perguntas e, quando me sentisse pronta, lançava a parte de cima ao mar, ancorava-me e tornava-me um respeitável, velho e intocável ponto final.

sábado, 28 de janeiro de 2012

ESSA É QUE ERA

E se eu escrevesse a vida a lápis e se nada me fizesse sofrer? Se o que eu escondo nunca existisse nem fosse feio de sentir?

E se os sonhos não me pertencessem, nem eu a eles? Se eu não desse azar à sorte ou se nunca tal tivesse dito? E se eu não fosse só um peixe voador, mudo e transparente? Que dor me atravessaria sem ser minha? Que grito daria sem ser ouvida?

Passei a história que escrevi à máquina.

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

PRINCIPEZINHO

Um pouco de paz nos meus braços vazios e pendentes. Um pouco de
esperança no meu regaço enrugado.
Sinto o peso do tempo e contudo sou criança. Só me apetece sonhar e brincar. Só sinto que o mundo é esta bola gigantesca e tão pequena. Piso uma ponta da cauda do cometa que me invento.
Voo para a ramagem de uma árvore longínqua. E nunca saio do meu quintal.
Só desejo ser amiga desta loucura. Só desejo que ela me compreenda.

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

ESTOU BEM

Dói-me a parte interna do peito. Um formigueiro frio que coça a minha inércia.
Doem-me as articulações do pensamento. Uma saudade de viver.
Dói a dor.
Não temo perder-me no meio de um qualquer sofrimento. Não deixo ir a corda que sustenta a minha alma empobrecida.
Tenho pedrinhas no bolso da esperança. Brinco com elas inocentemente, inconscientemente.
Sorrio perante a tristeza que vejo quando olho para dentro do que sinto.
É uma tristeza bonita, delicada, atraente.
É uma tristeza feliz.